"Uma Nova Cimeira África-França, para fazer o quê?"

A Cimeira África-França, que decorrerá a 8 de outubro próximo em Montpellier, será de um tipo radicalmente novo. Sem chefes de Estado nem autoridades institucionais, será dedicada exclusivamente à juventude de África e da França que, todos os dias, constrói o futuro das relações entre a França e o continente africano. A cimeira ambiciona permitir contemplarmos conjuntamente as perspetivas e as primeiras ações concretas a realizar para renovar as relações entre o nosso país e o continente africano. Pela primeira vez, reunir-se-ão centenas de jovens empreendedores, artistas, investigadores, atletas, estudantes e personalidades empenhadas de África e da França para partilhar este objetivo. Os participantes discutirão durante meio-dia sobre a maneira de estabelecer novas redes, de conceber projetos comuns, de construir pontes, em torno de cinco grandes temas – o empenhamento cívico, o empreendedorismo e a inovação, o ensino superior e a investigação, a cultura e o desporto. Estes debates foram precedidos por sessões de trabalho e reuniões em França e no continente africano, com o intuito de construir uma verdadeira dinâmica coletiva para durar até à Cimeira e mais além.

Os cinco temas

Cada uma das sessões tem como objetivo construir novas redes entre os atores da sociedade civil de África e da França, a fim de animar de forma duradoura e concreta a nova relação África-França.

Empenhamento cívico e democracia

A soberania, a liberdade de expressão, a cidadania, a mobilidade e a democracia são os principais temas discutidos durante os Diálogos África-França. Traduzem as exigências das gerações mais jovens e as suas expectativas em relação à França. Cristalizam também as incompreensões e os empecilhos que travam a invenção de novas formas de relacionamento. As experiências inovadoras, nomeadamente ao nível territorial, as experiências de coconstrução, os movimentos de cidadãos, as diásporas em França, ou as novas redes e círculos de pensamento abrem e promovem pistas de mudança.

Empreendedorismo e inovação

Com base nas iniciativas de apoio ao setor privado e ao empreendedorismo lançadas desde o discurso de Ouagadougou e na partilha de experiências inspiradoras, cerca de 500 empresários africanos da área digital, do setor agrícola, das indústrias culturais e criativas, do desporto, entre outros, discutirão com os seus pares franceses, nomeadamente oriundos das diásporas, para imaginar as ferramentas para dar vida às redes económicas de amanhã, que favoreçam a elaboração e a implementação de projetos de investimento inovadores.

Ensino Superior e investigação: Alimentar, Cuidar, Proteger

Investigadores africanos e franceses, estudantes, associações e empresários analisarão os desafios envolvidos na refundação das relações universitárias, das parcerias de investigação e da difusão das inovações, da mobilidade estudantil e da realização de projetos comuns (a Grande Muralha Verde, a saúde humana e animal, a agroecologia, etc.), com vista a construírem juntos uma continuidade inédita entre o ensino, a investigação, a inovação e o empreendedorismo.

Cultura: património e criatividade

Artistas, conservadores, criadores e empreendedores culturais abordarão os múltiplos desafios, como a questão das restituições, do acesso da juventude africana ao seu património e da cooperação cultural, e terão debates sobre a criatividade contemporânea e o apoio às indústrias culturais e criativas africanas.

Desporto

Quatro anos após o discurso de Ouagadougou, no qual o Presidente da República declarou querer fazer do desporto “uma alavanca para a juventude e o desenvolvimento económico e social em África”, a Nova Cimeira reunirá os principais atores do setor. Em colaboração com a metrópole de Montpellier e personalidades do mundo desportivo africano e da diáspora, serão destacados os desportos coletivos, os desportos urbanos e o e-desporto.

A sessão plenária

Na tarde de 8 de outubro, o Presidente da República terá uma discussão ao vivo e sem filtro com representantes da juventude africana e francesa, nomeadamente oriunda das diásporas. Quatro anos após o discurso proferido pelo Presidente Emmanuel Macron perante os estudantes da Universidade de Ouagadougou, será a oportunidade para escutar o que os próprios jovens esperam da relação África-França, e para definir conjuntamente os novos elementos fundamentais desta parceria.

Este debate público foi precedido por uma série de diálogos coordenados pelo professor camaronês Achille Mbembé, apoiado por um comité de treze personalidades africanas e da diáspora. Reunindo mais de 5.000 jovens, estes diálogos permitiram abordar todos os temas da relação. Aqueles que ainda suscitam o debate e precisam de ser formulados, analisados e superados, assim como aqueles que já alimentam fortes expectativas mútuas e propostas de ação.

Esta reunião “cimeira” da juventude africana e francesa demonstra a determinação em reinventar a relação África-França junto com aqueles que a animam no quotidiano. Exprime também a convicção de que são estes percursos de vida e estas histórias humanas que definem o caráter tão singular da nossa relação.

A sessão plenária de 8 de outubro na Arena de Montpellier será organizada em dois momentos:

  • Um primeiro momento, num registo mais pessoal, permitirá apresentar estes percursos e dar corpo à realidade do elo África-França. Serão destacados jovens talentos do continente africano e da França, e personalidades emblemáticas que, como “grandes testemunhas”, contarão a sua história pertinente ao continente africano ou à França, ou a ambos.
  • Um segundo momento de troca e debate entre o Presidente da República, Achille Mbembé e uma dezena de jovens talentos, africanos e franceses, sobre os grandes desafios da relação e as propostas fortes para escrevermos juntos a página seguinte da nossa história.

Esta sessão plenária poderá concluir-se com uma homenagem musical a esta relação.

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